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2026-04-19 · 8 min de leitura

Um Dia na Vida de uma Au Pair nos Países Baixos (2026)

Tens 21 anos, vens de Sófia, e estás a viver com uma família num subúrbio tranquilo a oeste de Amesterdão há dois meses. Tens o teu próprio quarto no último andar de uma casa de tijolo estreita, andas de bicicleta para todo o lado, e o teu vocabulário de neerlandês cresce mais rápido do que esperavas — sobretudo porque as crianças te corrigem constantemente. Eis como é uma quarta-feira normal.

7:00 — Ontbijt

O despertador toca e em dez minutos estás lá em baixo. As manhãs holandesas são eficientes — sem demoras, sem cozinhar nada elaborado, simplesmente despachar. A mesa da cozinha já está posta com uma tábua de madeira, um bloco de Gouda, um pacote de fiambre, manteiga e um frasco de hagelslag — granulado de chocolate que os holandeses comem mesmo em pão com manteiga ao pequeno-almoço. A primeira vez que viste, achaste que era a brincar. Agora comes todos os dias e tens opiniões firmes sobre qual é a melhor marca. Há café na bancada e Sanne, de 6 anos, já está vestida e a comer um beschuit com muisjes cor-de-rosa. O teu pai anfitrião, Joost, lê notícias no telemóvel e bebe o café de pé. Em quinze minutos terá saído. É este o pequeno-almoço holandês: rápido, cheio de hidratos e surpreendentemente bom.

7:45 — A bakfiets

Tiras a bakfiets do barracão. Se nunca viste uma, uma bakfiets é uma bicicleta de carga com uma grande caixa de madeira à frente — e nos Países Baixos, é como metade do país transporta crianças. Daan, de 3 anos, vai na caixa com uma manta sobre as pernas. Sanne senta-se no porta-bagagens traseiro, a segurar-te pela cintura. Pedalas oito minutos até à crèche onde Daan passa as manhãs, assinas a entrada, beijas-lhe o topo da cabeça e continuas mais cinco minutos até à basisschool de Sanne. A ciclovia é mais larga que a faixa de carros. Cruzas-te com pelo menos trinta outros pais a fazer exatamente o mesmo. Ninguém usa capacete — a infraestrutura é tão boa que andar de bicicleta aqui é mais seguro do que andar a pé na maioria das cidades. Estacionas a bakfiets, acenas à Sanne pela janela da sala e voltas para casa na tua bicicleta, que deixaste presa no estacionamento da escola.

8:30–12:00 — Tempo livre

Duas manhãs por semana frequentas um curso de neerlandês numa taalschool no centro da cidade. Hoje é um desses dias. Pedalas até à estação, apanhas um sprinter de doze minutos até Amsterdam Centraal e caminhas até à escola. A turma é uma mistura de expatriados, parceiros de holandeses e algumas outras au pairs. Estás no nível A2 e a professora fala quase inteiramente em neerlandês, o que é desorientador mas eficaz. O curioso de aprender neerlandês nos Países Baixos é que quase toda a gente fala inglês fluentemente. As pessoas mudam para inglês assim que te ouvem hesitar. Aprender neerlandês não é uma questão de sobrevivência aqui — é uma escolha, e os holandeses apreciam-no genuinamente.

Nas manhãs livres sem aulas, o tempo é inteiramente teu. Alguns dias pedalas pelos canais, paras num café no Jordaan para um koffie verkeerd e lês. Outros dias estudas na Openbare Bibliotheek — a biblioteca central perto da estação, com janelas do chão ao teto com vista para o rio IJ e Wi-Fi gratuito. Outros dias não fazes absolutamente nada. As manhãs são tuas, e ninguém te pergunta o que fizeste com elas.

12:00 — Almoço

Vais buscar Daan à crèche ao meio-dia. Vem coberto de areia e tinta e completamente feliz. Em casa preparas o almoço, e é aqui que tiveste de ajustar expectativas. O almoço holandês é famosamente simples. É pão. Mais precisamente, broodjes — fatias de pão com queijo, fiambre ou manteiga de amendoim, comido rapidamente e sem cerimónia. Num dia ambicioso podes fazer um uitsmijter — um ovo estrelado sobre pão com fiambre e queijo — ou aquecer uma tigela de sopa. Não há prato quente, nem salada, nem sobremesa. Os holandeses guardam a refeição quente para o jantar e tratam o almoço como combustível. Daan come o seu broodje com um copo de leite e uma peça de fruta. Tudo demora vinte minutos.

13:00–15:00 — Tarde com Daan

O tempo está cinzento e chuviscoso, o que nos Países Baixos não é razão para ficar em casa. Vestes o fato de chuva do Daan — um macacão impermeável que toda criança holandesa possui — e caminham até ao speeltuin local. Os parques infantis holandeses estão por todo o lado e são bem mantidos: caixas de areia, estruturas para trepar, baloicos, e normalmente um edifício comunitário com casas de banho e por vezes um pequeno café gerido por voluntários. Daan escava na areia molhada com intensa concentração. Sentas-te num banco debaixo do abrigo e conversas com outra mãe, uma mulher da Indonésia que vive nos Países Baixos há cinco anos e alterna entre neerlandês, inglês e bahasa a meio da frase. Depois do parque voltam a pé para casa, com Daan a chapinhar em cada poça pelo caminho.

15:00 — Saída da escola e lanche

Pedalas até à escola de Sanne com Daan na bakfiets. Sanne sai com a mochila a arrastar no chão e pede logo um koekje. Em casa preparas o lanche — fatias de maçã, uns stroopwafels e chávenas de leite quente. Os dois sentam-se à mesa da cozinha e contam-te o dia numa mistura de neerlandês e inglês. Sanne desenha um cavalo. Daan come três stroopwafels e diz que só comeu um.

15:30–17:30 — Atividades

Hoje é dia de zwemles de Sanne — aulas de natação. Nos Países Baixos, saber nadar é levado muito a sério. Quase todas as crianças passam pelo sistema de diplomas A, B e C, e Sanne está no B. Pedalas com os três até à piscina, sentas-te na bancada com Daan e vês Sanne nadar comprimentos de pijama vestido (parte do teste de diploma é nadar completamente vestido, o que é muito holandês e muito prático). Depois da natação, ide ao parque local. Há um ditado aqui: “Er is geen slecht weer, alleen slechte kleding” — não há mau tempo, só roupa inadequada. Os holandeses levam isto à letra. As crianças brincam ao ar livre com chuva, vento e temperaturas perto de zero, e ninguém pensa duas vezes. Daan e Sanne correm pela relva enquanto verificas o telemóvel e os manténs debaixo de olho.

17:30 — Passagem de turno

A tua mãe anfitriã, Femke, chega às cinco e meia. Contas-lhe a aula de natação, mencionas que Daan não dormiu a sesta, e passas o turno. As famílias holandesas costumam jantar cedo — entre as 18:00 e as 18:30 é normal, e às sete as crianças geralmente já estão no banho. O teu dia de trabalho terminou. Sobes, tiras o casaco salpicado de chuva e olhas para o telemóvel. O grupo já está a fazer planos.

Noite — O teu tempo

Pedalas até Amesterdão. O percurso demora vinte e cinco minutos numa ciclovia dedicada com os seus próprios semáforos, e é uma das melhores partes do teu dia. Hoje à noite encontras-te com um grupo de amigos — duas outras au pairs, um estudante de intercâmbio alemão e uma rapariga holandesa que conheceste na taalschool — para um borrel. Um borrel é a versão holandesa do after-work: sentas-te numa esplanada à beira do canal, pedes um biertje e uma porção de bitterballen (croquetes de carne fritos que sabem melhor do que parecem), e conversam durante três horas. O sol põe-se por trás das casas do canal pelas nove e toda a cidade fica dourada. Alguém sugere ir a um bar em De Pijp. Chegam de bicicleta em cinco minutos. Tudo em Amesterdão fica a cinco minutos de bicicleta.

A comunidade de au pairs nos Países Baixos é mais pequena do que na Alemanha ou França, mas a vida social é excelente. Amesterdão é compacta, internacional e cheia de gente jovem. Entre o teu curso de língua, outras au pairs na zona e a enorme quantidade de expatriados nesta cidade, construírás um círculo social rápido. Os próprios holandeses são famosamente diretos — dizem-te exatamente o que pensam, o que demora a habituar, mas também significa que sabes sempre onde estás.

Chegas a casa às dez e meia. Lês na cama, mandas à tua mãe uma foto do canal ao pôr do sol e pões o despertador para as sete.

Os números

Os Países Baixos são um dos destinos au pair mais estruturados e generosos da Europa. Eis como funciona o acordo:

  • Mesada: €340–400 por mês — das mais altas da Europa
  • Horas de trabalho: até 30 horas por semana, máximo 8 horas por dia
  • Dias de folga: pelo menos 2 dias completos por semana
  • Férias: 2 semanas de férias pagas para uma estadia de 12 meses
  • Curso de língua: as famílias anfitriãs contribuem frequentemente para aulas de neerlandês
  • Saúde: cidadãos da UE estão cobertos pelo Cartão Europeu de Seguro de Doença (CESD); au pairs de fora da UE precisam de seguro privado organizado pela família
  • Alojamento e refeições: quarto próprio e todas as refeições incluídas

Para uma comparação completa da remuneração de au pair por país, consulta o nosso Guia de salário au pair por país. E antes de assinares o que quer que seja, certifica-te de que leste um modelo de contrato au pair adequado para saberes o que deve constar por escrito.

Porquê os Países Baixos

Os Países Baixos são discretamente um dos melhores destinos au pair na Europa, e as razões são práticas. A mesada está entre as mais altas do continente. Quase toda a gente fala inglês fluentemente, por isso nunca estás perdida nem isolada — e se escolheres aprender neerlandês, os locais ficam encantados. A infraestrutura ciclista significa que não precisas de carro, passe de autocarro ou sequer bilhete de comboio para a maioria do teu dia a dia. O país é seguro, bem organizado e absurdamente plano, o que torna a mobilidade sem esforço. Amesterdão é uma das cidades mais vibrantes da Europa, mas até as cidades mais pequenas — Haarlem, Utrecht, Leiden — são bonitas, percorríveis a pé e cheias de vida. E a abordagem holandesa ao cuidado infantil é descontraída, prática e de confiança: as crianças brincam ao ar livre, sujam-se, aprendem a nadar de pijama e crescem com uma autonomia que torna o teu trabalho mais fácil com o passar dos meses.

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