Um Dia na Vida de uma Au Pair na França (2026)
Tens 23 anos, vens da Roménia, e há dois meses que vives com uma família francesa numa banlieue tranquila a sul de Paris. O RER leva-te ao Châtelet em vinte minutos. O apartamento cheira a manteiga de manhã e a sabão de roupa à noite. Tens duas crianças — a Camille, de seis anos, e o pequeno Hugo, que acabou de fazer três. Aqui está o aspeto de uma terça-feira normal.
7:15 — Manhã
Desces até à cozinha e a mãe anfitriã já pôs o café. Um saco de croissants da boulangerie da esquina está em cima da bancada — parou quando foi correr. Noutras manhãs são tartines: baguete fatiada com manteiga e compota, mais uma taça de cereais para as crianças. Serves-te de um café au lait numa taça — sim, uma taça, porque é assim que muitas famílias francesas bebem o café de manhã — e sentas-te com o Hugo enquanto a Camille trinca o pão e fala de uma colega que levou um hamster para a escola.
As famílias francesas são eficientes de manhã. Sem demoras. Toda a gente come, veste-se, sai. Às 7:50 a cozinha está arrumada e os sapatos estão a ser calçados à porta.
8:00 — Deixar na escola
Levas a Camille a pé à école primaire ao fundo da rua. O portão abre às 8:10, a campainha toca às 8:20, e há um pequeno grupo de pais e au pairs junto à entrada. Já conheces alguns — uma au pair brasileira, uma mãe do Senegal que pergunta sempre como vai o teu francês. A Camille entra a correr sem olhar para trás, o que significa que está contente.
Depois levas o Hugo à crèche, um desvio de cinco minutos. Algumas famílias usam a maternelle — em França as crianças podem começar a école maternelle aos três anos, e é gratuita. A família do Hugo escolheu a crèche porque os horários são mais flexíveis. Deixá-lo é rápido. O Hugo chora durante cerca de quatro segundos, depois vê a caixa de areia.
Uma coisa que surpreende todas as au pairs em França: as quartas-feiras de manhã. Em muitas escolas francesas, a quarta-feira é meio dia ou dia livre completo. Chama-se le mercredi e significa que o teu horário de quarta-feira é completamente diferente — normalmente mais horas de cuidados, mas também mais tempo de parque, mais atividades, mais diversão.
8:30–11:30 — Tempo livre
Três horas inteiramente tuas. Às terças e quintas frequentas um curso de francês na Alliance Française. A turma é de nível B1, sobretudo outras au pairs e estudantes Erasmus, e a professora recusa-se a falar outra coisa que não francês, o que é doloroso mas eficaz. A tua família anfitriã contribui para as propinas — a maioria das famílias francesas fá-lo, porque as orientações governamentais o incentivam.
Nos dias sem aulas, exploras. Uma das melhores coisas de ter menos de 26 anos em França é que a maioria dos museus nacionais é gratuita. O Musée d'Orsay, o Louvre, o Centre Pompidou — todos grátis com um bilhete de identidade europeu ou um visto válido. Já foste ao Orsay três vezes e tens um banco preferido no quinto andar junto aos impressionistas. Noutras manhãs simplesmente passeas por um novo arrondissement, sentas-te num café com um livro e praticas pedir em francês sem recorrer ao inglês.
11:30 — Ir buscar e almoço
Vais buscar o Hugo à crèche e voltas a pé para casa. O almoço em França — mesmo para um miúdo de três anos — é uma coisa séria. A mãe anfitriã deixou instruções: aquecer a sopa, servir com pão, depois o prato principal (normalmente o que se cozinhou na noite anterior), depois um pedaço de queijo, depois fruta. Quatro pratos para uma criança pequena. Isto é França. O Hugo come quase tudo, deixa cair o queijo no chão duas vezes e bebe água de um copo de vidro a sério porque a família não acredita em copos de plástico.
Tu comes o mesmo. As famílias anfitriãs francesas incluem-te quase sempre nas refeições, e a comida é genuinamente boa. Aprendeste mais sobre cozinha em dois meses aqui do que nos cinco anos anteriores em casa.
13:00–15:00 — Hora da sesta
O Hugo dorme a sesta. O apartamento fica em silêncio. Este é o teu segundo bloco de tempo livre, e é sagrado. Estudas francês — cartões de vocabulário, um podcast chamado InnerFrench que toda a gente recomenda — ou simplesmente sentas-te na varanda e lês. Nalguns dias fazes videochamada com os teus pais. O wifi é bom e a diferença horária com a Roménia é de apenas uma hora, o que faz com que esta experiência pareça menos longe de casa do que realmente está.
15:30 — Le Goûter
O Hugo acorda. Dás-lhe le goûter — o lanche da tarde que todas as crianças em França consideram um direito constitucional. Hoje é um pain au chocolat e um saquinho de compota. Noutros dias é uma tartine com Nutella, ou uma fatia de quatre-quarts (bolo caseiro) que a mãe anfitriã fez no domingo. Le goûter acontece exactamente às 16:00, com margem de cinco minutos. É o evento mais previsível da vida familiar francesa.
Enquanto o Hugo come, vais buscar a Camille à escola. O portão abre às 15:45 e as crianças saem como um pequeno rio barulhento.
16:00–18:00 — Tarde
Esta é a parte mais atarefada do dia. Às terças, a Camille tem ballet na MJC local (Maison des Jeunes et de la Culture — um centro comunitário que oferece atividades baratas para crianças). As crianças francesas fazem uma quantidade notável de extracurriculares, a que os franceses chamam activités périscolaires. A Camille faz ballet às terças, judo às quintas e um ateliê de desenho aos sábados. Tu levas-la, esperas, trazes-la de volta.
Nos dias sem atividades, vão ao parque — uma pracinha com caixa de areia e um carrossel que custa dois euros. O Hugo corre. A Camille trepa a tudo. Tu sentas-te num banco e conversas com as outras au pairs que gravitam para o mesmo parque. De volta a casa por volta das 17:30, ajudas a Camille com os trabalhos de casa. É sobretudo prática de leitura e matemática simples, mas ela insiste que verifiques cada resposta, o que é fofo e demorado ao mesmo tempo.
18:30 — Passagem de turno
Os pais anfitriões chegam a casa. Dás uma atualização rápida — o Hugo comeu bem, a Camille tem uma autorização para um passeio escolar, o ballet correu bem — e está feito. O teu dia de trabalho acabou. Na maioria dos dias trabalhaste cerca de seis horas, divididas entre blocos de manhã e de tarde, o que é típico para uma au pair em França a fazer 25–30 horas semanais.
Noite — O teu tempo
É aqui que ser au pair perto de Paris compensa. O RER funciona até cerca da 1:00 da manhã e o teu passe Navigo — que a tua família anfitriã paga — cobre toda a região de Île-de-France. Esta noite vais encontrar-te com outras au pairs num cave à vin perto da Bastilha onde um copo de vinho custa cinco euros e ninguém te mete pressa. Na semana passada foste a um concerto de jazz gratuito numa igreja no Marais. Na semana antes, a um intercâmbio de línguas num bar em Oberkampf onde praticaste francês com um estudante de medicina de Lyon que praticou inglês contigo.
A cena social de au pairs em Paris é enorme. Há grupos de Facebook com milhares de membros, chats de WhatsApp organizados por nacionalidade e bairro, e viagens de fim de semana que alguém está sempre a planear. Nunca te faltam pessoas com quem fazer coisas, e a maioria está na mesma situação estranha e maravilhosa que tu — jovens, no estrangeiro, com um pouco de saudades de casa, a viver a vida familiar de outra pessoa durante o dia e a sua própria vida à noite.
Os números
Aqui está o lado prático de ser au pair em França em 2026:
- Dinheiro de bolso: €320/mês em Paris (a tarifa padrão — algumas famílias em Paris pagam até €350). Fora de Paris, espera entre €280 e €320. Para uma comparação completa por países, consulta o nosso guia de salários de au pair.
- Horas de trabalho: 25–30 horas semanais, normalmente divididas entre blocos de manhã e de tarde com um longo intervalo ao meio-dia.
- Transporte: passe Navigo para viagens ilimitadas em Île-de-France. A família anfitriã geralmente paga-o ou contribui significativamente. Custa cerca de €86/mês em 2026.
- Férias: 2 semanas de férias pagas numa estadia de 12 meses, mais os feriados franceses (há muitos — França tem 11).
- Curso de língua: espera-se que as famílias anfitriãs te deem tempo para frequentar um curso de francês e frequentemente ajudam com o custo.
- Alojamento e alimentação: quarto individual e todas as refeições incluídas, como em qualquer experiência au pair.
Porquê França
O francês é falado em cinco continentes e é uma das línguas mais valiosas para a carreira no mundo. Um ano de imersão em França levar-te-á mais longe do que três anos de estudo em sala de aula, e o certificado da Alliance Française (DELF/DALF) é reconhecido em todo o lado. Para além da língua, a cultura gastronómica francesa mudará a tua forma de comer para sempre, e o sistema DREETS (Direction régionale de l'économie, de l'emploi, du travail et des solidarités) proporciona um enquadramento formal que realmente protege as au pairs — os teus direitos, os teus horários e as tuas condições de trabalho são levados a sério.
E depois há Paris. Todas as cidades têm os seus clichés, mas Paris merece a maioria. A luz aqui é realmente diferente. O pão é realmente assim tão bom. E caminhar ao longo do Sena numa noite quente depois de um dia a tomar conta de dois pequenos seres humanos realmente parece a vida que esperavas que um ano de au pair fosse.
Precisas de ajuda com o teu visto? O nosso guia de vistos au pair 2026 cobre a França e todos os outros países de destino principais. E se quiseres ver famílias anfitriãs em França agora mesmo, vai à nossa página de França para ver quem procura au pair.
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