Um Dia na Vida de uma Au Pair na Itália (2026)
Tens 20 anos, vens de uma cidade média na República Checa, e estás a viver com uma família num bairro residencial no lado leste de Roma há dois meses. O apartamento fica no terceiro andar de um edifício amarelo pálido com persianas que realmente são usadas. Tens o teu próprio quarto, jantam juntos quase todas as noites, e o teu italiano está a melhorar mais rápido do que esperavas — em parte porque as crianças recusam-se a falar inglês. Eis como é uma quarta-feira normal.
7:30 — Pequeno-almoço à italiana
O despertador toca e vais para a cozinha descalça sobre o azulejo fresco. A tua mãe anfitriã, Francesca, já lá está. Entrega-te uma chávena pequena de espresso feito na moka — aquela cafeteira que todos os lares italianos têm pelo menos duas. O pequeno-almoço é leve: um pacote de biscotti na mesa ao lado de um frasco de Nutella, e uma caixa de fette biscottate (torradas finas e secas) se quiseres algo mais simples. Sem ovos, sem bacon, sem nada elaborado. O pequeno-almoço italiano é café e algo doce, de pé ou em cinco minutos. Levaste cerca de uma semana a deixar de ter fome às dez. Agora já te habituaste, e o espresso é tão bom que não te importas.
As crianças, Sofia (4) e Marco (6), estão à mesa com o uniforme escolar — o grembiule azul (bata) que os alunos italianos usam por cima da roupa. Sofia molha biscotti em leite quente. Marco olha para a parede com o olhar perdido de uma criança que está acordada há três minutos.
8:15 — Caminho para a escola
Levas as duas crianças à escola a pé. Sofia vai para a scuola materna — o equivalente italiano do jardim de infância para crianças dos 3 aos 5 anos. Marco vai para a scuola elementare, a escola primária mesmo ao lado. A caminhada demora doze minutos por ruas residenciais ladeadas de pinheiros-mansos e Fiats estacionados. Passas por um forno (padaria) com um cheiro incrível, um bar onde homens de fato bebem espresso ao balcão, e uma pequena piazza com uma fonte completamente colonizada por pombos. Deixas Sofia primeiro, beijas a professora nas duas faces (isto custou-te a habituar), e acompanhas Marco até ao portão. Ele acena e corre.
8:45–12:30 — Tempo livre
Este tempo é inteiramente teu, e é a parte do acordo que mais te surpreendeu. Três manhãs por semana frequentas um curso de italiano numa escola perto da estação Termini. A turma é de nível B1, uma mistura de au pairs, estudantes Erasmus e um casal alemão reformado que se mudou para cá pela comida. Custa cerca de €400 por um bloco de três meses, e a tua família anfitriã contribui com €50 por mês. Estás a aprender o conjuntivo e dói-te a cabeça, mas já consegues discutir com um farmacêutico e pedir num restaurante sem apontar, por isso o progresso é real.
Nas manhãs livres, exploras. Roma é absurda — podes passar ao lado de um templo de 2.000 anos a caminho de comprar pasta de dentes. No primeiro domingo de cada mês, os museus estatais são gratuitos, por isso já visitaste o Coliseu, a Galeria Borghese e os Museus Capitolinos sem gastar um cêntimo. Noutros dias, sentas-te num café perto de Trastevere com um cappuccino (nunca depois das 11 — aprendeste essa regra rápido) e estudas, ou caminhas ao longo do Tibre, ou simplesmente deambulas. Roma é uma cidade que recompensa o passeio sem rumo.
12:30 — Almoço
Vais buscar Sofia à scuola materna. Ela fala o caminho todo para casa, sobretudo sobre um desenho que fez de um gato, e percebes cerca de setenta por cento, o que é uma melhoria em relação aos quarenta por cento de quando chegaste. Em casa, a mãe de Francesca — a Nonna — deixou uma panela de pasta e ceci (massa com grão-de-bico) ao lume. O almoço italiano não é uma sãndviche. É uma refeição a sério, muitas vezes com dois pratos: um primo (normalmente massa, risotto ou sopa) seguido de um secondo (carne ou peixe com contorno — um acompanhamento de legumes). Até as crianças comem assim. Sofia senta-se com toda a naturalidade perante um prato de penne al pomodoro seguido de um pedaço de frango grelhado e curgetes assadas. A ideia de que as crianças comem comida diferente dos adultos não existe realmente aqui.
Comem juntos à mesa da cozinha. Sem televisão, sem pressa. O almoço em Itália continua a ser um verdadeiro acontecimento, mesmo durante a semana. A água vem numa garrafa de vidro, o pão fica no centro da mesa, e a refeição demora quarenta e cinco minutos. Arrumavas, ligas a máquina de lavar louça e limpas a mesa. Sofia já está a bocejar.
14:00–15:30 — Riposo
O riposo — o descanso do início da tarde — é sagrado em Itália, especialmente nos meses mais quentes. Sofia dorme a sesta. Tu sentas-te na cama com as persianas meio fechadas, respondes a mensagens, fazes uma videochamada com uma amiga em casa, ou lês. O bairro fica silencioso. As lojas fecham. Até o tráfego parece abrandar. É um daqueles ritmos italianos que parece estranho na primeira semana e completamente natural na terceira.
15:30 — La Merenda
Sofia acorda e é hora da merenda — o lanche da tarde que toda criança italiana espera com a certeza da gravidade. Cortas uma pera, pões bolachas e um pedaço de queijo, talvez um iogurte pequeno. Em dias especiais há uma crostata (tarte de compota) que a Nonna trouxe. Vais buscar Marco à escola às quatro, e ele chega com fome suficiente para comer uma segunda merenda imediatamente.
16:00–18:00 — Atividades da tarde
Hoje levas as duas crianças ao parque. Há uma villa comunale a dez minutos com pinheiros, um parque infantil e um caminho de terra onde senhores jogam bocce à luz do final da tarde. Sofia trepa e escava na areia. Marco encontra dois amigos da escola e começam imediatamente um jogo de calcio (futebol) usando mochilas como balizas. Sentas-te num banco com outra au pair — uma rapariga francesa chamada Clémence que chegou na mesma semana que tu — e falam sobre como ambas usaram acidentalmente o formal “Lei” com um adolescente no supermercado.
Noutras tardes a rotina varia. Às segundas, Marco tem natação na piscina comunale. Às quartas, Sofia tem uma aula de movimento entre dança e ginástica. Ajudas Marco com os trabalhos de casa — sobretudo compreensão de leitura e matemática simples — e o teu vocabulário italiano cresce em direções estranhas porque agora sabes as palavras para “divisor”, “península” e “rocha ígnea” antes de saber dizer “gostaria de devolver isto”.
18:30 — Passagem de turno
Francesca e o marido, Luca, chegam do trabalho. Dás-lhes o resumo: Sofia comeu bem, os trabalhos de casa do Marco estão feitos, a natação correu bem. Luca pergunta como vai o teu curso de italiano e corrige a tua gramática da forma mais gentil possível. Francesca agradece-te, serve-se de um copo de vinho, e tu vais para o teu quarto mudar de roupa. O teu dia de trabalho terminou.
Noite — O teu tempo
Hoje à noite vais encontrar-te com três outras au pairs para o aperitivo — o ritual italiano pré-jantar que normalmente inclui um Spritz ou um Negroni e uma seleção de petiscos. O vosso sítio favorito é um bar em Trastevere onde €8 dão-te um cocktail e acesso a um buffet de bruschetta, pizzas pequenas, azeitonas e enchidos. Sentam-se na esplanada numa rua de calçada e vêem o bairro ganhar vida. Famílias com carrinhos de bebé, casais de mão dada, adolescentes em Vespas, turistas a olhar para mapas. A passeggiata — o passeio noturno — não é um mito. Os italianos realmente saem para passear sem outro motivo além do prazer.
Depois dos drinks, caminham até à vossa gelataria favorita perto da Piazza Navona. Tu pedes pistácio e chocolate negro. Clémence pede stracciatella e imediatamente deixa cair no sapato, o que se torna a coisa mais engraçada da semana. Voltam para casa devagar por ruas quentes, passando por igrejas iluminadas e restaurantes onde as pessoas estão apenas a sentar-se para jantar às nove e meia. Roma à noite é uma cidade diferente — mais silenciosa, dourada e infinitamente bonita.
Chegas a casa às dez e meia. Mandas à tua mãe uma foto do gelato (antes do incidente do sapato), lês umas páginas do romance italiano que estás a ler, e pões o despertador para as sete e meia.
Os números
Itália não tem uma lei nacional única que regule as au pairs como a Alemanha, mas existem normas amplamente aceites e os acordos estão bem estabelecidos. Eis como é uma posição típica de au pair em Itália:
- Mesada: €250–300 por mês, dependendo da família e das horas
- Horas de trabalho: 25–30 horas por semana
- Dias de folga: pelo menos 1 dia completo por semana, mais um fim de semana completo por mês
- Férias: 2 semanas de férias pagas para uma estadia de 12 meses (negociável)
- Curso de língua: muitas famílias contribuem para aulas de italiano, normalmente €50/mês
- Seguro: a família anfitriã geralmente organiza o seguro de saúde ou adiciona-te à sua apólice
- Alojamento e refeições: quarto próprio e todas as refeições incluídas
Para uma comparação completa da remuneração de au pair por país, consulta o nosso Guia de salário au pair por país. E antes de assinares o que quer que seja, certifica-te de que leste um modelo de contrato au pair adequado para saberes o que deve constar por escrito.
Porquê Itália
Itália é um daqueles lugares que parecem bons demais para ser verdade até viveres lá e perceberes que é tudo real. A comida é extraordinária e está em todo o lado — não só nos restaurantes, mas na forma como famílias normais cozinham numa terça-feira à noite. O italiano é uma das línguas mais bonitas do mundo, e aprendê-lo a viver com uma família é mais rápido e mais natural do que qualquer sala de aula poderia oferecer. A arte, a arquitetura, a luz, a costa, as montanhas — poderias passar um ano aqui e não ficarias sem coisas para ver. E as famílias italianas tendem a ser calorosas, barulhentas, generosas e genuinamente empenhadas em fazer-te sentir parte da casa em vez de empregada.
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