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2026-04-19 · 8 min de leitura

Um Dia na Vida de uma Au Pair na Irlanda (2026)

Tens 22 anos, vens de uma cidade média perto de Barcelona, e estás a viver com uma família num subúrbio a sul de Dublin há dois meses. Tens o teu próprio quarto no topo das escadas, jantas com a família quase todas as noites, e o teu inglês melhorou mais rápido do que qualquer aula teria conseguido. Eis como é uma quarta-feira normal.

7:30 — Manhã

O despertador toca e vestes um hoodie antes de descer. A cozinha está quente — o aquecimento ligou há uma hora porque isto é a Irlanda e até em abril precisas dele. A tua mãe anfitriã, Siobhán, já está de pé, a encher a chaleira. Chá, não café. A Irlanda funciona a chá. Prepara-te uma chávena sem perguntar porque é isso que os irlandeses fazem — simplesmente dão-te chá. Deitas flocos de aveia numa tigela, juntas leite, metes dois minutos no micro-ondas e pões mel por cima. Siobhán come torrada com compota de laranja. Conversam sobre o tempo (sempre o tempo), sobre as crianças, sobre um documentário que viu ontem à noite. Sem pressa e tranquilo. Agarra na mala, diz “right, I'm off” e sai para o trabalho.

8:15 — Caminho para a escola

Preparas as crianças. Aoife tem 8 anos, Cian tem 5. Ambos usam uniforme — camisolas azul-marinho, calças cinzentas, brasão da escola no peito. As escolas primárias irlandesas são pequenas, comunitárias, onde toda a gente conhece toda a gente. A escola fica a dez minutos a pé pelo bairro, passando por jardins com trampolins e sebes que precisam de poda. Dás a mão ao Cian na passadeira. Aoife vai à frente porque tem oito anos e portanto é independente. Despedes-te deles no portão, cumprimentas outro pai que conheces e voltas para casa.

8:45–12:30 — Tempo livre

Este tempo é teu e tu protege-lo. Três manhãs por semana frequentas um curso de inglês numa escola de línguas no centro da cidade. Hoje é um desses dias. Apanhas o DART — o comboio que percorre a baía de Dublin — e as vistas são genuinamente deslumbrantes. O mar é cinzento-esverdeado e enorme, e nos dias limpos consegues ver Howth Head pela janela da carruagem. A tua turma tem doze pessoas de seis países e todos estão aqui pela mesma razão: a Irlanda é o único país anglófono da UE, o que a torna a escolha óbvia se queres melhorar o teu inglês sem sair da União Europeia.

Nas manhãs livres, a cidade é tua. A National Gallery é gratuita. Podes passear pelo campus do Trinity College. Já passaste manhãs inteiras na Chester Beatty Library, que também é gratuita e um dos melhores museus pequenos da Europa. Às vezes simplesmente te sentas num café na George's Street com um café e um livro, a ver a chuva escorrer pela janela. Noutros dias caminhas pela costa de Dun Laoghaire até Sandycove, passando pelo Forty Foot onde as pessoas se atiram ao mar da Irlanda o ano inteiro. Dublin é uma cidade que recompensa o passeio sem rumo.

12:30 — Almoço

Chegas a casa ao meio-dia e meia. Os almoços irlandeses são casuais — uma sándviche, sopa de pacote, sobras do jantar de ontem, talvez feijão em lata com torrada. Fazes uma sándviche de fiambre e queijo, comes de pé ao balcão, e ligas a chaleira outra vez porque é isso que fazes agora. Tornaste-te uma pessoa de chá irlandesa e aceitaste-o.

13:00–14:30 — Tempo tranquilo

Arrumar a cozinha, preparas um lanche para quando as crianças voltarem, e tens uma hora para ti. Fazes uma videochamada com os teus pais em Espanha. A tua mãe pergunta se está a chover. Está. Pergunta se estás a comer bem. Estás. Vais ao telemóvel, respondes a mensagens no grupo de au pairs e lês umas páginas do romance na mesinha de cabeceira. A casa está silenciosa e o silêncio é agradável.

14:30 — Ida buscar à escola

Voltas à escola a pé. O pátio é um mar de camisolas azul-marinho. Cian sai a correr primeiro e diz-te que marcou um golo no almoço. Aoife aparece um minuto depois, já a falar de algo que aconteceu na aula de artes. Pegas em cada um pela mão e voltam para casa.

15:00–17:30 — Tarde

A tarde é o coração do teu trabalho. Primeiro, lanche — fruta, bolachas, um copo de leite. Depois Aoife faz os trabalhos de casa à mesa da cozinha enquanto ajudas Cian com a leitura. Está a aprender fonética e vai bem, embora pronuncie “three” como “tree” como toda criança irlandesa com menos de dez anos.

Trabalhos de casa feitos, vão ao parque. Chuviscando, mas vão na mesma. As crianças irlandesas estão habituadas à chuva de uma forma que ainda te surpreende. Brincam nela, correm nela, mal a notam. Aprendeste a levar sempre um impermeável e a deixar de esperar que o tempo melhore porque não vai. O parque tem um bom parque infantil e um campo de futebol. Cian dá pontapés numa bola. Aoife trepa a coisas.

Às terças, Aoife tem treino de GAA — futebol gaélico, que parece uma mistura de futebol e ráguebi inventada por alguém a correr. Cian experimentou hurling durante umas semanas, que envolve bater numa bola pequena com um pau de madeira a velocidades alarmantes, e decidiu que preferia natação. O GAA está em todo o lado na Irlanda, e é completamente gratuito para crianças ao nível de clube, o que é uma daquelas coisas da vida irlandesa que genuinamente te impressionam.

Hoje não há treino, então fazem pastelaria. Scones, porque Siobhán te ensinou e são absurdamente fáceis. Farinha, manteiga, buttermilk, forno quente, doze minutos. As crianças comem dois cada uma com manteiga e compota antes do jantar, o que significa que vão jantar menos, o que significa que Siobhán te vai lançar um olhar. Vale a pena.

17:30 — Passagem de turno

Siobhán chega por volta das cinco e meia. Contas-lhe sobre a leitura, o parque, os scones. Agradece-te e assume. A família janta junta por volta das seis — algo simples como frango com batatas, massa ou um guisado se esteve na panela lenta o dia todo. Jantas com eles quase todas as noites. A conversa é fácil e entendes cada vez mais o humor irlandês a cada semana. O teu dia de trabalho terminou.

Noite — O teu tempo

Hoje à noite encontras-te com amigas na cidade. Apanhas o autocarro para o centro e encontras duas outras au pairs — uma de França e outra do Brasil — num pub perto de Temple Bar. Não em Temple Bar mesmo, porque os locais evitam (preços de turista), mas perto. Pedes uma imperial e sentam-se lá ao fundo onde uma sessão de música tradicional está a começar. Três músicos com um violino, um bodhrán e uma guitarra tocam reels e jigs enquanto as pessoas conversam por cima. Ninguém aplaude entre músicas. Não é um espetáculo, é simplesmente o que acontece nos pubs irlandeses numa noite de quarta-feira. Adoras.

Depois caminham ao longo do Liffey, passando pela Ha'penny Bridge iluminada à noite, e compram batatas fritas num chipper porque é assim que toda boa noite em Dublin termina. A vida social é incrível e genuinamente acessível comparada com Londres. Uma imperial custa cerca de €6 fora das armadilhas para turistas. Uma refeição fora €12–15. O autocarro de volta €2.

Chegas a casa às dez e meia, fazes uma última chávena de chá e lês na cama até os olhos se fecharem.

Os números

A Irlanda não tem um visto formal ou programa legal de au pair como a Alemanha, mas existem normas bem estabelecidas que a maioria das famílias segue:

  • Mesada: €100–120 por semana (€400–480 por mês), das mais altas da Europa
  • Horas de trabalho: 25–30 horas por semana, normalmente divididas entre idas à escola e tardes
  • Dias de folga: pelo menos 1,5 dias livres por semana, mais a maioria das noites
  • Alojamento e refeições: quarto privado e todas as refeições incluídas
  • Visto: cidadãos da UE/EEE não precisam de visto nem de autorização de trabalho — aplica-se a livre circulação. Au pairs de fora da UE devem verificar as regras de imigração irlandesas
  • Seguro: as famílias normalmente organizam seguro de saúde privado ou podes aceder aos serviços públicos com um número PPS
  • Língua: não é necessário saber irlandês — tudo funciona em inglês

Para uma comparação completa da remuneração de au pair por país, consulta o nosso Guia de salário au pair por país. E antes de assinares o que quer que seja, certifica-te de que leste um modelo de contrato au pair adequado para saberes o que deve constar por escrito.

Porquê a Irlanda

A Irlanda é o único país anglófono da União Europeia. Desde o Brexit, é a melhor opção para quem quer aprender inglês permanecendo na zona de livre circulação da UE. Sem papelada de visto, sem patrocínio, sem marcações na embaixada. Se tens passaporte europeu, podes mudar-te para Dublin no próximo mês.

Mas a língua é só uma parte. A Irlanda é um país pequeno com uma personalidade enorme. As pessoas são famosamente simpáticas — não de forma educada e distante, mas do tipo “senta-te, ponho a chaleira, conta-me tudo”. O craic (irlandês para bons momentos, boa conversa, boa companhia) é real e começa no primeiro dia. A tua família anfitriã vai apresentar-te aos vizinhos. As pessoas no portão da escola vão perguntar de onde vens. O barista vai lembrar-se do teu nome à terceira visita.

Dublin é compacta o suficiente para a atravessar a pé numa hora mas grande o suficiente para ter tudo o que precisas — museus, música ao vivo, mercados, costa, montanhas a vinte minutos a sul. O custo de vida é mais alto que no sul da Europa mas a tua mesada também, e com alojamento e refeições cobertos, a maior parte do que ganhas é para gastar ou poupar.

Para saber mais sobre por que a Irlanda é um destino top para au pairs que querem melhorar o inglês, lê o nosso guia sobre por que a Irlanda é o melhor país para aprender inglês como au pair.

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